2008-07-27

Sara Maria manda-me sonhar

Gravado em Sonhos às 10:48

I was driving too fast, as usual, through a narrow countryside road, large stone pine trees scattered on both sides, large open fields beyond.

As usual in my dreams the car was out of control. I went pulled by an outside force and I could not stop it, only sometimes induce it to stay on the road. There was suddendly a flow of large birds flying low towards me, mostly guinea fowl, but also other fat imaginary birds, dark and swollen. There were thousands of them, moving very fast towards me on all sides, but none hit my car. They kept coming, like rain, hiding everything else and I finally went off the road and was driving over a ploughed field.

The birds were gone, but it was suddendly dark and my car headlights were very dim. I was jumping about, moving randomly over the field when I hit the elephant. He had appeared out of the darkness on my right side and withstood the impact almost motionlessly, trumpeting loudly. His head went down, a tusk went under my car and made it jump, almost turning it over. There was earth on the air and over the car, but the engine was still running and by itself the car limped away, wounded.

Then it started to rain.

2008-05-26

Red

Gravado em Querido Diário às 13:39

Catherine diz:
:( my finnish friend said to me i look like orangutan

2008-04-09

baguinho de arroz

Gravado em Querido Diário às 16:27

Miriam: zé!
dizme uma coisa…
é mt lixado cuidar de um bebé?
José: é :)
Miriam: É!?????????????
AI!

2006-11-26

Berglind Eva to me

Gravado em Querido Diário às 15:16

he’s singing to his friend.. friends whatever, who were in drugs with him, and hes singing about how the drugs made their life an endless fear, and about stupid things they did while using it and so on

2006-08-24

sé þig seinna

Gravado em Querido Diário às 22:26

olá karen
*CoCo* álo zé:D
i am stupid
really
*CoCo* oh ?
*CoCo* really ?
really. dumb as a door, as we say in portugal
*CoCo* HAHAHAHAHHAHA
*CoCo* AS DOOR WHAHA ;D
*CoCo* never heard that before
all this because of slatron
*CoCo* because of my slatron :-O ?
wait…
2006-08-13 21:05:33 *CoCo* zé @ Cabo Ledo im going..
2006-08-13 21:05:37 *CoCo* zé @ Cabo Ledo slatron..:)

2006-08-13 21:05:52 zé @ Cabo Ledo *CoCo* slatron?
2006-08-13 21:06:03 *CoCo* zé @ Cabo Ledo see you later on

*CoCo* yes ?
and I thought “slatron” was some Icelandic word for “see you later on”
*CoCo* hahaha :D it isnt :D
*CoCo* ;D hahaha
DUMB AS A DOOR!
*CoCo* HAHAHHAHAHAHAHHAHAHAHAHA
*CoCo* you are priceless
:P
so there I was…
talking to andrea…
*CoCo* and ?
and i said “i’m going, slatron…” and she said “slatron??”
*CoCo* WHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHHA
*CoCo* ;D;D;D
*CoCo* (AAAAA)
wait, I managed to make a fool of myself even more :D v
*CoCo*
omg.. how was that even possible
this is how : I imagined maybe it was some danish word and I looked for it on the internet
I found out that it is an american brand of pool tables :)
but no word
*CoCo* its like: SeeyouLATeRON = slatron
*CoCo* :D
yeah, it is obvious
*CoCo* hahaha
*CoCo* :D
suddendly I realized that when i was brushing my teeth
*CoCo* hahaah
but now andrea will make fun of me until the end of the world
*CoCo* i will too :D
and now that I told you…
*CoCo* WaHAHAHAH
yes, you too
but that is life
you have to learn lessons from these difficult moments
and I learned one thing
*CoCo* ;D
*CoCo* what thing?
sé þig seinna

2006-08-06

Songs from a room

Gravado em Querido Diário às 21:13

Eu consumo muito espaço. Quando aqui cheguei tive de encurralar a cama a um canto, despachar duas mesinhas e trocá-las por uma grande secretária de tampo carcomido. Ganhei o espaço suficiente para caminhar num apertado círculo enquanto ouço os Kaizers Orchestra. Fiquei contente com isso, exponho aqui as fotos do antes e do depois como um troféu da minha batalha.
Depois comprei um bule amarelo, uma caneca amarela, troquei o meu candeiro vermelho pelo amarelo do Ângelo. Imprimi e colei na parede fotografias dos meus santinhos (mas a fita-cola está espapaçada e todas ameaçam cair). Comprei velas esguias made in China que se desfazem rapidamente numa chama alta. Agora é mais o meu quarto.

No dia em que brincámos às fotografias e a distrair a Maddy a Nadine comentou sobre o silêncio da casa, muito diferente da casa dela cheia de gente e crianças a brincar. Contei-lhe que era um dia especial, nos dias normais passa um mundo por aqui; mas toda a gente estava pela praia e os habitantes da casa são silenciosos por natureza ou pelas circunstâncias. Era um dia muito diferente dos normais, em que a casa se enche do ruído do tabaco.

Esses dias especiais são cada vez mais normais agora, Agosto vai levando todos os expats de volta à velha Europa. Os ruídos só chegam do exterior, das festas de fim de semana, dos pneus a chiar, dos galos dos quintais.

Tenho poucas visitas. Os que passam pela casa não sobem as bonitas escadas de madeira escura. Só aqui entram os fantasmas da internet. Fantasmas ou ídolos ou anjos. Não sei o que lhes chamar. Não são pessoas, ou não são pessoas ainda. Não há corpos, vozes, cheiro. São só fotografias, palavras, sinais. Anjos generosos que vão deixando migalhas de si.

Tantos milhões. Algures no mundo alguém tem tempo e paciência. Porquê eu? Hande, Andrea, Berglind, Karen, Santa. Durmo.

moxi iana tutu wana
cada passo pesa
no caminho errado

moxi, iana, lança a carta
fala, acorda, quase tropeças
na areia de enganos

Encontrei este poema nesta cidade há 10 anos, ainda antes da grande guerra. Não sei se as palavras em Quimbundo se escrevem assim. Regresso a Cohen: “He was just some Joseph looking for a manger”.

2006-07-23

Akureyri Revisited

Gravado em Sonhos às 16:16

Subia por uma rua íngreme e pedregosa, levava um saco pesado de serapilheira grossa que me me arranhava as costas. Cheguei a uma casa branca com um muro alto e um grande portão de ferro verde. Lá dentro um jardim: plantas altas, árvores, um lugar sombrio com um laguinho central. Uma escada subia para a casa. O lago tinha muitas tartarugas de todos os tamanhos; tentei escolher uma para levar à Dulce, mas quando me decidia por uma ela conseguia sempre escapar-me.

Berglind, Karen e outra rapariga desceram e e disseram-me que a Andrea estava fechada no quarto e não me queria ver nem receber o saco que lhe trazia. A Karen tinha um vestido branco, ria sem parar e parecia diferente. Estava loura, como quando era criança. A Berglind vestia um fato-macaco laranja estranho e sujo; disse-nos que estava a trabalhar nas plataformas de petróleo. Decidimos que era melhor levar o saco para a casa da Berglind [que por alguma razão não vivia na mesma casa da irmã]. De repente era de noite e tinhamos de nos apressar porque a casa de Berglind era no outro lado de Akureyri.

Caminhámos por uma estrada de terra que rodeava uma colina. Viamos Akureyri lá em baixo, uma cidade enorme com muitos edifícios altos em ruas paralelas. Eu disse que era muito bonita com todas as luzes acesas. Nesta altura a Karen tinha de novo o cabelo preto, mas parecia muito gorda e alta.

Tinhamos de descer e atravessar uma ponte sobre o rio. Era perigoso porque ali viviam os portugueses, todos eles marginais e traficantes de droga. Sobre a ponte um homem muito alto, muito escuro aproximou-se; queria o nosso saco. Agarrou-me, mas a Karen e a Berglind fugiram com o saco. Segurava-me, tinha de olhar para cima para o ver, tinha duas vezes a minha altura. Puxou de uma grande seringa com uma longa agulha e apunhalou-me no peito. Lutámos, caímos no rio.

Então estava perdido em escarpas junto ao mar. Tinha de encontrar a estação de caminhos de ferro para apanhar o combóio para Portugal (para a Moita) e pensava que ia ter fome numa viagem tão longa. A falésia era amarelada com arbustos e rochedos redondos. Debaixo de uma pedra algo se movia: pequenas tartarugas marinhas. Fui agarrar uma para levar à Dulce, mas correu para o mar. De repente já não era uma tartaruga, era um sapo. Pensei “é um sapo bonito, mas a Dulce não o vai querer” . Voltei à rocha e vi que só havia sapos, uma massa negra, confusa e viscosa de sapos.


[então o telemóvel tocou e acordei. eram 4 da manhã e alguém se tinha esquecido das chaves de casa]

2006-07-22

[poema escrito numa cisterna em 1994]

Gravado em Sonhos às 16:54

porque vais fugindo na noite
como um ladrão?
Fugindo da montanha da lua
onde a tua sorte foi revelada
para a noite em que nada aquecerá o teu coração.

Escutaste no escuro as rumorosas vozes do futuro
e é um lugar onde já estiveste
a casa construída e abandonada
habitação de medo

2006-07-21

Cristiano Ronaldo and other anomalies

Gravado em Sonhos às 15:07

a mask by Hande CavusIt was obviously a bad day at the world and I was not the man to solve it’s problems, I realize it now. However, just a few minutes ago I was a politician in the midst of an election campaign and I was explaining reporters how I was the right man for the job. I’m not shure what the job was: I was campaigning near my own street, so it could be for mayor, but immediately before that I was having a nice day at the beach and was worried about the papparazzi following me; so, prime-minister, perhaps?

Marques Mendes, the portuguese opposition leader was there at the beach with two lesbians. The paperazzi came to sit beside me in the sand to eat their cheese sandwiches and told me how they were unsure about publishing the photos of Marques Mendes. He joined us, reeking of tobacco and beer, smiling and showing his yellow teeth.

Then I felt the ground shaking and I heard the sound of loud music: bad heavy metal straight from the 70s. There was a thick smell like if the whole world was rotting. I was near a tall and unfinished building. There was a muddy street going down until the place where I was and at the other end I saw a dozen monstrous cows coming towards me. They were black and red and had huge horns. I was shaken by fear. The ground floor of the building was a tall space with naked concrete pillars and surrounded by crooked iron bars. I tried to escape inside, running over puddles of mud.

There were more people running and trying to get over the iron fences, all were football players dressed in their club’s outfit. I could not recognize all, but Cristiano Ronaldo was there and Ronaldinho, Edgar Davids , Alan Shearer, Drogba too and many others in many different colours.

Then we were all inside and all the cows were roasting in a long row of gigantic spits, turning slowly over bright fires. It was very hot and all the football players were doing a barbaric dance, shouting and stamping their feet on the muddy ground.

2006-07-20

the taste of Polish

Gravado em Querido Diário às 9:22

Yes, Agnieszka, Polish is sweet. Sweet and wild, like the nectar of Spring flowers, mysterious and imperfect like the sound of the branches crackling when the wind rushes through the forest, lively and smooth like the water pushing pebbles on a stream. Striking, foreign, incomprehensible; just like nature.

what the polish language looks like

Seguinte » (1) - Orlando Domingos, 13 de Novembro de 2005.